pétalas2.png
pétalas.png

ESPAÇO DE

OPINIÃO

Os padrões psicológicos e comportamentais dos indivíduos


Recebi o convite para escrever neste espaço há quase um ano.

Entretanto quase tudo mudou.

Cada vez menos sinto que possa dizer algo útil ou inteligente.

Não faria sentido fazer resumos, tratados de opiniões pessoais ou futurologia. Deixo isso para as centenas de POVs que recebo diariamente do mundo inteiro e para os virologistas e economistas de bancada.

Interessa-me alertar para um assunto ao qual tenho dado maior atenção nos últimos anos e que ganhou um particular interesse e importância neste último.

Os padrões psicológicos e comportamentais dos indivíduos e a forma como o contexto da pandemia os tem vindo a alterar.

Para facilitar o entendimento, das dezenas de teorias e teoremas que existem sobre as pessoas, podemos utilizar como base e ponto de partida os perfis MBTI (Myers & Briggs) que desde 1941 têm sido alimentados por imenso conteúdo e estudos.

Tendo como premissa que cada um dos 16 perfis comportamentais tem uma predisposição para desenvolver alterações comportamentais sobre períodos de pressão, verificado e documentado pelo mundo inteiro.

O contexto que vivemos e a alteração comportamental provoca imensas alterações em cima de um tabuleiro de mahjong que por si só já é bastante complexo, quer para a nossa vivência enquanto ser humano quer para o nosso trabalho em todas as áreas de comunicação.

Na nossa área, a questão que se coloca é como conversar de forma inteligente (eficiente para cliente) entre padrões comportamentais que interagem com o mundo, recebem e processam informação e decidem de acordo com um software mental completamente diferente.

Mas o desafio hoje é ainda maior para professores perceberem que do lado de lá do ecrã um N é mais criativo e se desfoca dos temas em que o S não se cansa de pedir detalhe e que o P nunca vai organizar uma mochila como o J que planeia os seus estudos numa agenda, para todos terem a mesma oportunidade de mostrar as suas magias.

Quando nós abordamos os consumidores por esta via e sabemos que estamos a comunicar com um ISFJ que gosta de carros pequenos, precisa de super detalhe de informação e adrenalina para viver o presente, mas que precisa do conselho familiar para decidir planeando ao detalhe a jornada de compra.

Podemos agora acrescentar os comportamentos da reação do perfil ao contexto atual e perceber como afeta os atos de compra (interessa bastante aos nossos clientes).

Já na situação de teletrabalho é hoje extremamente importante criar empatia com o lado de lá.

Há informação dos comportamentos expectáveis de cada perfil e de como nos podemos ajudar uns aos outros para nos mantermos ativos, motivados e orientados (a alguns pode ocorrer a palavra felicidade pontual).

O meu perfil tem extrema ligação à dislexia e à procrastinação por isso o teletrabalho é um desafio para a minha autogestão.

Entretanto o meu P não deixa acabar este texto e já o revi várias vezes. Acaba por ficar pior. Mas. Espero que fique a ideia central.

Se conseguir deixar o alerta para que tenhamos mais atenção com os perfis dos outros, no âmbito pessoal, familiar, profissional, e também no contexto dos consumidores, evoluiremos para um estado de maior inteligência emocional para nós e marcas enquanto entidades participativas deste novo mundo.


Peço desculpa aos céticos e deixo a porta aberta aos interessados sobre a temática.


Abraço


Rui Ribeiro Partner Strategy, Mindshare


Júri na Categoria de Media