Sobre emojis, ideias e cartomantes.


Li noutro dia, no site da Revista Marketeer, que a pandemia provocada pelo Covid-19 provocou um acréscimo no uso de emojis no Twitter. O mesmo se verificou pela Google que registou um aumento de 60% no uso deste recurso em mensagens de texto.

Ora, se esta pandemia provoca uma mudança na intensidade com que utilizamos um simples emoji, imaginem no resto. Sem dúvida que não sairemos os mesmos depois desta fase. A imensa maioria de nós foi obrigada a mudar a forma de trabalhar, de consumir, de comunicar e de aprender. Se isto vai ser permanente, não se sabe. Sabemos, sim, que a tão falada “nova normalidade” vai durar algum tempo e teremos de nos adaptar a ela. É uma questão de sobrevivência.

Falando daquilo que me diz respeito, creio que os desafios para a criatividade publicitária são inegáveis. Sempre considerei que viajar, viver novas experiências, observar o quotidiano, analisar comportamentos e consumir cultura são condições essenciais para o surgimento de ideias. Viver a vida lá fora dá-nos “bagagem”, acrescenta informações aos nossos consciente e subconsciente. Facto que, no momento certo, consoante causas e condições adequadas, desencadeia soluções criativas.

Também a mudança de rotina e o home office, por mais recursos tecnológicos que tenhamos ao nosso dispor, impõe-nos imensos desafios, pois dificultam o brainstorming criando uma espécie de trabalho solitário que nem sempre é muito produtivo. Claro que, na ausência do mundo ideal, temos de nos adaptar ao que é real. Segundo o “futurista” Gerd Leonhard, o mundo ao qual desejávamos voltar já não existe. As mudanças forçadas por esta pandemia, segundo ele, serão permanentes e alcançarão a economia, sociedade, política, ambiente e ciência.

Sendo isto verdade, irá surgir uma nova sociedade, com novos valores e exigências. E sendo isto também verdade, a maneira como pensamos a publicidade também deve alterar-se para se ajustar a esta nova realidade. Logo, tudo aquilo que eu valorizo como condição essencial para um bom criativo talvez já não tenha tanta importância num futuro próximo.

Mas eu não sou futurista nem cartomante, estou apenas a especular. O que eu desejo mesmo é que se todo este processo realmente significar a morte da criatividade tal e qual conhecemos, não faz mal, desde que surja das cinzas uma criatividade igualmente excitante, disruptiva e transformadora. Pois assim como a publicidade evoluiu ao longo das décadas para acompanhar as incontáveis transformações sociais que a humanidade viveu, ela há de fazê-lo agora outra vez. 😊


Júnior Lisboa Diretor de Criação e Planeamento da Maianga


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